Vítima de estupro limpa o sangue na roupa do agressor e prova garante sua condenação

Numa atitude desesperada, uma mulher de 58 anos, atacada enquanto levava seu cachorro para passear, acabou contribuindo para que seu agressor fosse preso. Vítima de estupro e extremamente machucada por um homem de 18 anos, ela decidiu limpar o sangue vindo de seus ferimentos. As informações são do site de notícias “Daily Mail”.

O crime, cometido no dia 15 de julho em Cumbria, na Inglaterra, acabou levando Jack Walker à cadeia pelos próximos 11 anos. Sob ameaças de esfaqueá-la até a morte, Walker teria puxado a vítima pelo cabelo, batido nela diversas vezes e depois a colocado contra a sua vontade ao chão, onde a estuprou.

Apesar das súplicas da mulher, a violência continuou, e ela decidiu passar seu próprio sangue nas roupas do agressor, o que levou a polícia a identificá-lo. “Como resultado, a evidência provou que ele cometeu o delito de maneira inquestionável. Depois de negar inicialmente as acusações, ele não teve outra escolha a não ser se declarar culpado”, disse Isla Chilton, promotora.

Segundo o detetive Jim Grattan, a sentença de 11 anos é motivo de comemoração. “Não há desculpa para ações impensáveis de Walker e eu estou contente que esteja enfrentando uma sentença significativa por seus crimes. A vítima estava inocentemente andando com seu cachorro quando Walker a forçou e começou seu ataque brutal. Ela tem mostrado verdadeira bravura durante a nossa investigação”, disse.

Fonte: Extra

 

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Manuela D’Ávila escreve carta a Marcela Temer; leia na íntegra!

Cara Marcela,

Quem me acompanha por aqui ou na vida cotidiana sabe o que eu penso sobre os cuidados e estímulos na Primeira infância. Tanto que decidimos, Duca e eu, ficar esse primeiro ano com Laura. Decidimos para tornar exclusiva a amamentação até o sexto mês, para prolongar a amamentação por mais tempo (Laura ainda mama com 1a1m), para curtirmos nossa pequena.

Porém, isso só foi possível pois Duca é um artista que normalmente não trabalha durante os dias em que eu trabalho. Isso só foi possível porque nos dois não temos jornadas equivalentes de trabalho, não somos “CLT”, pois eu posso viajar para o interior com Laura. Isso só foi possível porque nós somos dois, não sou sozinha nessa aventura. Isso só é possível porque eu tive acesso a toda informação sobre a importância da amamentação e também porque Não ouvi de uma creche que era impossível armazenar leite materno ou que meu leite é fraco.

Mas Escrevo apenas para dizer que sim, o programa criança feliz, coordenado por ti, Marcela, pode ser importante.

PORÉM, São muitos os poréns.

Não vou falar sobre a volta do primeiro Damismo, esse papel secundário, decorativo, destinado a ti e a todas as mulheres nesse governo golpista.

Quero falar sobre maternidade, sobre não termos receitas, sobre criação com apego, sobre violência obstétrica, sobre creches, educação infantil, horário de atendimento em postos de saúde. Quero falar sobre licença maternidade de 4 meses e paternidade… bem, ser apenas licença hospitalar!

A absoluta maioria das mulheres, Marcela, torce pra conseguir uma vaga em creche quando o bebe tem 100 dias para fazer a adaptação nos últimos 20 da licença. Outras passam o dia angustiadas pois deixam uma “vizinha” cuidando do bebe em ambientes não adequados.

A média desmama aos 56 dias (aliás, porque você não falou em amamentação? A indústria não gosta?). Muitas mulheres são demitidas ao voltar. Ou pior: quando faltam o trabalho para pegar a ficha no posto de saúde. E seu marido, Marcela, ainda quer congelar os gastos em saúde e educação com a PEC 241. Imagina!!

Marcela, sei que muitas mulheres tornam-se empoderadas ao se depararem com a realidade. Vi isso acontecer muitas vezes nessas quase duas décadas de militância. Veja as crianças como se fossem o seu filho! Tu sabes que elas precisam sim de cuidados. E para isso precisam também do Estado.

Esse estado que seu marido quer “congelar”, destruir. Esses gastos públicos que ele quer congelar são a creche de um bebê igual ao Michelzinho. São a consulta pediátrica de uma bebe igual a Laura.

Sabe Marcela, é muito bom cuidar da Laura. Muitas mulheres, como você, optam por não trabalhar, eu as respeito. Outras, como eu, trabalham, estudam e cuidam dos filhos. Eu respeito a todas as nossas escolhas.

Porém, precisamos saber que para a imensa maioria não há escolha. A volta ao mercado de trabalho é uma imposição. E eu preciso te alertar: crianças não são felizes sozinhas. Crianças são cuidadas. Esses cuidados passam por mães e pais que não podem trabalhar doze horas por dia! Que não podem ter seus direitos submetidos a negociação em plena crise! Essas crianças serão felizes com educação e saúde públicas de qualidade. Se a crise aumenta, mais esses pais trabalham, se não há direitos trabalhistas, mais frágeis ainda são essas mães no mercado de trabalho, se hoje achamos ruim 4 meses de licença, podemos seguir o caminho dos EUA, que simplesmente não a concedem.

Marcela, vem com a gente lutar pela felicidade de nossas crianças. Vem a com gente lutar contra a ampliação da jornada de trabalho, contra a PEC 241. Vem com a gente lutar por uma sociedade em que mulheres e homens possam cuidar mais de seus filhos.

Manuela d’Ávila

Fonte: AQUI

Fotógrafo retrata meninas menores de idade condenadas à morte

Sadegh Souri, de 30 anos, premiado fotógrafo iraniano, visitou um Centro de Correção de Delinquentes Juvenis para registrar a vida das meninas encarceradas.  O ensaio “À espera da pena de morte” mostra as condições miseráveis em que vivem as garotas no corredor da morte.

A maioria das meninas ainda aguarda o veredito. Muitas estão presas desde os 10 anos e nunca receberam visitas da família. Algumas revelam que foram forçadas a confessar os crimes após sessões de violência e tortura.

No Irã, a partir dos nove anos as crianças já podem ser presas e condenadas à pena de morte. Apesar de as convenções internacionais terem banido esse tipo de punição para jovens abaixo de 18 anos, no Irã, execuções ainda ocorrem para menores que cometeram crimes, como assassinato, tráfico de drogas e roubo à mão armada.

Segundo relatório divulgado pela Anistia Internacional no final de janeiro, apesar da recente aprovação de novas leis no Irã, muitos jovens ainda estão presos à espera da morte. Segundo a entidade, as autoridades iranianas tentam encobrir suas contínuas violações dos diretos das crianças.

De acordo com os números mais recentes da Anistia, o Irã é um dos países que mais usam a sentença de morte no mundo, perdendo apenas para a China. A maioria das execuções está relacionado ao tráfico de drogas. O país integra uma grande rota de tráfico ligando os campos de produção de ópio do Afeganistão à Europa.

O documento ainda registra 73 execuções de menores, entre 2005 e 2015. Segundo a ONU, pelo menos 160 jovens esperam sua execução, que costuma ocorrer quando completam 18 anos.

1

Mahsa tem 17 anos. Ela se apaixonou por um rapaz e tinha a intenção de casar, mas seu pai era contra. Ela teria esfaqueado o pai durante uma briga e ele morreu. Seus irmãos pediram a sua execução ou a Lei de Talião, que consiste na reciprocidade do crime da pena, o famoso “olho por olho, dente por dente”.

6

Shaqayeq tem 15 anos. Ela está presa há quase um ano acusada de ter roubado uma corrente de uma loja no Teerã. Ela e o namorado estavam na local quando a polícia chegou. Seu namorado fugiu e Shaqayeq foi presa. No dia da foto, sua avó foi visitá-la pela primeira vez, depois de um ano de prisão. Sua sentença de morte foi emitida e ela deve ficar presa até os 18 anos, quando o veredito será realizado.

2

Segundo as regras, as detentas podem ficar com seus filhos no centro de detenção até eles completarem dois anos. Zahra é uma das meninas que cria um dos filho ali. Ela se casou aos 14 anos e tem dois filhos. Hoje, aos 17, está presa por ter roubado o celular de uma mulher. Zahra foi presa três vezes pelo mesmo motivo.

4

Sowgand tem 16 anos. A polícia encontrou na sua casa 250 kg de ópio, 30 g de cocaína e 20 g de heroína. As drogas pertenciam ao seu pai, mas apenas Sowgang estava em casa quando a polícia chegou. Já faz quase um ano que foi presa e nenhum de seus parente foi vistá-la.

5

O clérigo vai à ala das meninas menores de idade todos os dias. Após as orações, o responsável fala sobre a educação adequada para meninas e reza a Deus para que sejam perdoadas.

3

As meninas podem ficar no pátio do presídio durante uma hora pela manhã e uma hora à tarde.

0

Khatereh tem 13 anos. Ela fugiu de casa após ser estuprada pelo tio. Uma semana depois de escapar, ela sofreu um estupro coletivo por um grupo de jovens num parque. Para se salvar, a menina machucou o próprio braço com uma faca. A polícia a encontrou no chão inconsciente e, depois de ser levada ao hospital, Khatereh foi transferida para o Centro de Correção de Deliquentes Juvenis.

#‎SouFeministaPq‬

Porque ser feminista? As respostas são múltiplas, de naturezas e intensidades diversas, o sentimento por trás delas é o mesmo: a luta pela igualdade de gênero e a integridade e os direitos das mulheres.

Foi em nome desse sentimento comum que a página do Facebook Não Me Kahlo e a conta do Twitter @Monalizamos criaram, nesse domingo (21) a hashtag #SouFeministaPq, a fim de que as mulheres pelo Brasil respondessem a essa pergunta, e trouxessem ainda um pouco mais de luz a necessidades, violências e injustiças sofridas.

#‎SouFeministaPq‬ o ‪#‎omundonãotáchato‬ o que é chato é ter que lidar com tanto machismo, preconceito, racismo e homofobia.

“Não consigo emprego por causa do meu cabelo afro”

Há quem diga que não existe racismo no Brasil. Que a miscigenação fez o povo brasileiro ser muito mais tolerante com relação às diferenças étnicas. Algumas mulheres que ostentam o cabelo black power ou penteados típicos da cultura negra não concordam com isso, principalmente no mercado de trabalho.

Dona de fios crespos e armados, Dayane Rodrigues, da cidade de São Paulo, narrou nesta segunda-feira (16), em seu Facebook, o tipo de situação que as negras passam frequentemente durante uma entrevista de emprego. “Eles sequer olharam para o meu currículo. Só mandaram um: ‘Com este cabelo você não vai ser contratada'”. 

Arquivo pessoal

“Black não condiz com sua formação”

“Já ouvi diversas vezes que meu cabelo não condiz com a minha formação. As pessoas não esperam que uma mulher negra seja formada em administração e muito menos que ela use black. Já aconteceu em um processo seletivo o entrevistador com o meu currículo na mão chamar o meu nome e, ao me ver levantando, dizer: ‘Não chamei você. Chamei a Kelly'”. (Kelly Cristina Nascimento, 29 anos, de São Paulo (SP))
Arquivo pessoal

“Faz chapinha para ver os clientes”

“Em 2012, fui trabalhar como analista de social media em uma agência e eventualmente teríamos que visitar clientes. O dono da agência disse que, quando eu fosse falar com os clientes, eu deveria fazer chapinha. Na época, eu não tinha a noção de que isso era uma demonstração clara de racismo”. (Taís Oliveira, 25 anos, de Guarulhos (SP)).
Arquivo pessoal

“Boa aparência”

“Uma amiga arrumou para mim um emprego de babá. Ela contou para a contratante que eu tinha cabelo cacheado e a mulher perguntou se ele era ‘para o alto’. A contratante pegou, então, o meu contato e viu a minha foto no Whatsapp. Mas, por causa da química que eu usava na época, o meu cabelo caiu e tive que cortá-lo bem baixinho. Quando cheguei na casa da família, a mulher ficou em choque e a primeira coisa que perguntou foi o que tinha acontecido com o meu cabelo. Depois, ela disse que tinha gostado do meu currículo, mas que a aparência também contava porque eles eram da alta sociedade, frequentavam lugares importantes e que, provavelmente, eu também iria. Ela tinha seis funcionários na casa: cinco eram negras e o motorista branco. Todas as negras tinham o cabelo liso” (Dayana da Silva Santiago, 27 anos, de Itaguaí (RJ))
Arquivo pessoal

“Perfil da empresa”

“Em uma entrevista individual, me perguntaram se eu poderia alisar o cabelo e pintá-lo. Eu disse que não e eles me dispensaram. Em uma loja de sapatos, já ouvi que não fazia o perfil da empresa — o lugar não tinha vendedores negros. Em um shopping, deixei o meu currículo e não deixaram eu fazer entrevista, porque eles tinham um limite de pessoas por dia. Eu tinha sido a primeira a chegar” (Jéssica Caroline da Silva Conceição, 23 anos, de Duque de Caxias (RJ))
Arquivo Pessoal

Mas há esperança no mundo… 🙂

“Em 2012, estava precisando loucamente trabalhar. Consegui uma entrevista e ao sair, minha mãe questionou o fato de eu sair com o black power solto e com uma flor rosa choque. Ao chegar na empresa, a supervisora me olhou de cima abaixo com uma expressão que achei que era ‘ruim’. No fim, ela me contratou dentre vários candidatos bem mais qualificados porque, segundo ela, eu tinha ‘muita atitude para assumir minha cor e principalmente meu cabelo'” (Débora Andrade, 32 anos, de São Paulo (SP))
Via: UOL

Comercial de O Boticário NÃO é todo feminista e empoderador

Sabe quando você quase se convence que a “Pasta de Avelã X” é igual Nutella, somente para perceber tarde demais que ela deixa um sabor de decepção e arrependimento na boca pelo resto do dia? Essa foi mais ou menos sensação que eu tive depois de assistir ao novo comercial do Boticário na semana passada.

Intitulada “Acredite na Beleza”, a nova campanha do Boticário vai mais ou menos assim:

  • Três casais, supostamente reais, se separam.
  • Os seis indivíduos são entrevistados sobre o porquê do término do casamento.
  • As mulheres dizem coisas como “Acabou por um monte de coisinhas”, “a gente virou sócio na criação dos filhos”, “não conseguimos manter o equilíbrio como namorados”, “antes ele me olhava com os olhos brilhando, depois não via mais nada”. Já os homens dizem coisas como “com a rotina, se torna comum está com a pessoa. Deixa de ser atrativo”, “A gente se acostuma com as coisas; com o anel, com o carro, com a pessoa que tá do lado”, “acontece de parar de olhar. Você deixa de olhar”.
  • Em seguida as mulheres topam participar de uma transformação oferecida pelo Boticário. As três são vestidas, maquiadas e penteadas para o momento da assinatura do divórcio.
  • Temos então o auge do comercial: o momento em que cada uma entra na sala, com foco nos caras embasbacados olhando para as ex-parceiras. Nesse momento, ouvimos novamente o que cada um havia dito na entrevista. “A gente pára de olhar”; “A gente se acostuma”; “Deixa de ser atrativo”.
  • Durante a assinatura do divórcio, aparece escrito na tela: “Tudo pode acabar. Menos a sua autoconfiança”.
  • O comercial acaba com cada uma das mulheres declarando que se sentem lindas, ótimas, seguras de si e prontas para seguir em frente.

Pois bem. A princípio, tudo muito lindo. Mas assim como acontece com a duvidosa pasta de avelã, não demora muito para começar a sentir aquele gosto de decepção na boca… que logo vira gosto de morte quando você percebe que muita gente está achando esse comercial super empoderador.

Apesar da minha frustração, eu entendo por que é fácil achar isso. Em primeiro lugar, o Boticário aborda um assunto que é pouco tratado – o divórcio – de forma positiva. Oras, separações acontecem, relacionamentos não dão certo, e isso tudo é absolutamente normal.

Ponto para o Boticário!

Além disso, as mulheres são retratadas de forma bastante sensata. Elas estão obviamente chateadas com a separação, mas sabem que é isso que querem e não estão desesperadas ou ansiosas para “conquistar” o marido de volta. Para melhorar mais ainda, o comercial termina com essas mulheres confiantes e fortes, prontas para enfrentar o que tiver que ser enfrentado sozinhas, sem a necessidade de um homem do lado.

Opa, mais dois pontinhos aqui!

E tudo isso porque elas estão se achando lindas e poderosas depois da ajuda do Boticário e da admiração velada que receberam dos ex-maridos em relação às suas aparências durante a assinatura do divórcio.

Gente. Por que é que eu preciso ficar/me sentir bonita para me sentir poderosa? Essencialmente, isso é o que diz esse comercial, que, diga-se de passagem, entra na onda midiática eterna das exaustivas “makeovers”. Oras, essa é uma ideia que é vendida para mulheres incessantemente. Quantos filmes não assistimos em que tudo o que a mocinha precisa é de uma mudança de visual?

boticárioApenas alguns exemplos.

Quantas revistas não lemos, da adolescência à vida adulta, cujo teor principal é nos ensinar formas de ficar mais bonitas, como se isso fosse a coisa mais importante do universo? Quantas vezes já não ouvimos a galera do Esquadrão da Moda (e outros tantos similares) falando que tudo que uma mulher precisa para levantar a autoestima é aprender a se vestir direito e se achar bonita? Qual é o maior elogio que se pode fazer a uma mulher? Que ela está linda, que é bonita, que é atraente! Desde criança, é isso que aprendemos: que o maior e principal valor que uma mulher pode ter é ser bonita.

Isso é um problema. É um grande problema. Uma porque beleza, numa sociedade capitalista, sempre será padronizada. Afinal, criando e reforçando padrões de beleza que pautam os desejos das consumidoras, as marcas de produtos de beleza sempre sabem o que as pessoas querem e, com isso, conseguem vender mais. Por isso, a menos que o sistema mude (que já é uma outra discussão também muito necessária), algum padrão sempre vai existir. E se ele sempre vai existir, sempre existirão mulheres belas e mulheres feias de acordo com ele.

Ao mesmo tempo, como a beleza também define o valor de uma mulher na nossa sociedade machista, a existência desse padrão sempre vai destituir de valor um grupo de mulheres. Não é a toa que o nosso padrão de beleza é tão absurdamente rígido (além de misógino, racista, gordofóbico, etc). Pouquíssimas se encaixam nele, o que significa que a grande maioria das mulheres está sujeita a ter sua autoestima e autoconfiança abaladas por “não ser bonita”.

E é aí que entra a questão fundamental: por que raios temos que ser belas para valer alguma coisa? Por que isso é tão importante? Descobrir que todas somos belas independente do padrão é importante, numa primeira etapa. Por isso sou super a favor de todos os movimentos que celebram a beleza em toda a sua diversidade. Mas por que eu preciso me achar bela (de acordo com o padrão imposto ou mesmo com os meus próprios padrões) para me amar? Por que eu preciso ser convencida de que eu sou BONITA para gostar de mim mesma?

São sempre essas palavras: linda, bonita, bela. São sempre elas que usamos para levantar a moral de uma mulher. Isso não acontece com homens. Ser bonito pode até ser importante para eles, mas não é fundamental. Eles não falam uns pros outros: ‘não fica assim, você é tão bonito!’. Essas frases que usamos “toda mulher é linda”, “a real beleza”, etc, são ótimas, mas ainda botam a importância na beleza. E beleza – independente do padrão (seja o deles, seja o nosso) é um negócio que varia, é subjetivo, é efêmero. Não temos que nos fiar nisso nunca. Não é nisso que deve se apoiar nossa autoestima, nosso amor próprio, nossa autoconfiança.

“Ah, mas você entendeu errado a propaganda do Boticário! Não acho que as mulheres só se sentiram confiantes depois da makeover!” – alguém aí está dizendo. – “Elas já eram poderosas antes!”

Olha, eu não sei da vida dessas mulheres. O que eu sei é o que o Boticário mostrou. E o que o Boticário mostrou foram mulheres sendo arrumadas para o olhar masculino (o auge do comercial é o olhar dos caras quando elas entram na sala!) e tirando disso a confiança para seguir em frente. Isso não é empoderamento. Superficialmente, uma makeover pode levantar a autoestima, sim, mas não é isso que vai fortalecer uma pessoa.

Resumindo: o Boticário é uma marca de cosméticos. Ele vive em cima desse ideal machista de que mulheres são enfeites. Por isso, não me choca a propaganda. E embora ela apresente outras falhas gritantes – como a falta de diversidade e a mensagem ridícula de que basta a mulher se manter atraente fisicamente para manter o casamento – não se trata de crucificar a marca.  O que realmente me choca é ver como esse ideal da beleza na vida das mulheres ainda é tão aceito como um fator chave de empoderamento.

Temos ainda muito chão pela frente.

Via: Nó de Oito